A maioria dos problemas odontológicos dos nossos pacientes são solucionados pelos próprios procedimentos que realizamos. No entanto, algumas crianças podem já chegar com alguma dor e sem a possibilidade de tratar já na mesma hora. Ou então, podemos realizar um procedimento mais invasivo ou complexo com potencial de dor pós-operatória. Nesses casos, a prescrição de medicamentos é fundamental, porém, como não é tão frequente na rotina, algumas vezes pode surgir alguma dificuldade dos profissionais nessa prescrição, seja pela escolha do fármaco ou cálculo da dose. Você já passou por alguma dessas situações?
A prescrição medicamentosa, embora possa parecer muitas vezes simples e fácil, sempre deve ser particularizada e baseada na saúde geral do paciente, tipo de dor, intensidade e procedimento planejado. Por exemplo, em casos de dores provocadas raramente haverá necessidade de medicações, pois o próprio procedimento odontológico é capaz de solucionar. Dois fatores importantes relacionados a decisão terapêutica medicamentosa são: a complexidade do procedimento realizado e a expectativa de dor pós-operatória. Estabelecer protocolos na prática clínica pode facilitar o raciocínio e tomar decisões mais certeiras!
Tratamentos de menor complexidade e sem a expectativa de dor pós-operatória não necessitam de nenhuma prescrição medicamentosa.
Tratamentos de menor complexidade e com a expectativa de dor pós-operatória, não têm a necessidade de medicação pré-operatória e deve ser prescrito um analgésico para o pós-operatório.
Já para tratamentos de maior complexidade e com a expectativa de dor pós-operatória, uma medicação prévia pode auxiliar. Portanto, podem ser prescritos AINES ou anti-inflamatórios esteroidais. Aliado a isso, analgésicos podem ser eficazes no controle de dor pós-operatória.
Quando se trata de infecções bacterianas, a prescrição de antibióticos deve ser realizada quando há sinais de disseminação de infecção local ou sistêmica. Ou seja, não são necessários em todos os casos de infecção, como fístulas e abcessos. Em relação a saúde geral dos pacientes, os imunodeprimidos ou com alterações metabólicas importantes também estão bem indicados. Somando a esses fatores, é usado como medicação profilática em casos de pacientes com risco de endocardite bacteriana.
Da mesma forma, algumas condições em tecidos moles podem exigir a prescrição de fármacos. Por exemplo as ulcerações, candidose e herpes recorrente. Um outro caso frequente nos bebês é a GEHA – Gengivoestomatite Herpética Aguda, uma infecção de origem viral. Na maioria das vezes, os medicamentos prescritos nessa condição têm o objetivo de aliviar os sintomas, e não estão indicados antibióticos por se tratar de infecção viral.
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Qual o medicamento mais adequado?
A escolha do medicamento irá depender do histórico alérgico do paciente, peso e idade. Além disso, uma sugestão é perguntar qual medicamento o paciente já está acostumado a tomar quando há necessidade.
- Medicação pós-operatória de tratamentos de baixa complexidade:
- Dipirona gotas (500mg/ml) ou solução oral (50mg/ml),
- paracetamol gotas (200mg/ml) ou suspensão oral “bebê” (100mg/ml) ou suspensão oral “criança” (32mg/ml)
- Medicações para tratamentos de maior complexidade:
Medicação pré-operatória:
- Betametasona “gotas”0,5mg/ml
- Ibuprofeno solução oral “gotas”100mg/ml
Medicação pós-operatória:
- Analgésicos já citados.
- Antibioticoterapia:
- Amoxicilina suspensão oral 250mg/5ml ou 500mg/5ml
- Esterato de Eritromicina suspensão oral 125mg/5ml, 250mg/5ml
- Azitromicina suspensão oral 600mg
- Claritromicina suspensão oral 125mg/5ml ou 250mg/ml
- Associação entre metronidazol e amoxicilina
- Amoxicilina e clavulanato de potássio
- Posologia dos medicamentos
Na Odontopediatria temos a peculiaridade de sempre calcular a dose ideal para cada paciente. Esse cálculo deve ser realizado com base no peso e na dose desejada para a criança, o que varia de medicamento para medicamento. A seguir nessas tabelas estão relatadas as medicações mais comuns em Odontopediatria e suas posologias.
Dipirona gotas 10mg/kg
| Apresentação | Solução “gotas” 500mg/ml |
| Posologia | ½ gota/kg |
| Máximo | 4 vezes/dia; 20 gotas/dose |
| Intervalo | 4/4 h ou 6/6 h |
| Duração | 24 h |
Adaptado de: Minozzo, Carla E. Manual de terapêutica medicamentosa em odontopediatria (livro eletrônico). Curitiba: Ed. da autora, 2020.
Dipirona solução oral 50mg/ml
| Peso | Dose | Solução oral (em mL) |
| (média de idade) | ||
| 5 à 8kg (3 a 11 meses) | Dose única | 1,25 e 2,5 |
| Dose máxima diária | 10 (4 tomadas x 2,5ml) | |
| 9 á 15kg (1 a 3 anos) | Dose única | 2,5 a 5 |
| Dose máxima diária | 20 (4 tomadas x 5ml) | |
| 16 à 23kg (4 a 6 anos) | Dose única | 3,75 a 7,5 |
| Dose máxima diária | 30 (4 tomadas x 7,5ml) | |
| 24 à 30kg (7 a 9 anos) | Dose única | 5 a 10 |
| Dose máxima diária | 40 (4 tomadas x 10ml) | |
| 31 a 45kg (10 a 12 anos) | Dose única | 7,5 x 15 |
| Dose máxima diária | 60 (4 tomadas x 15ml) | |
| 46 a 56kg (13 a 14 anos) | Dose única | 8,75 x 17,5 |
| Dose máxima diária | 70 (4 tomadas x 17,5ml) |
Atenção: Crianças menores de 3 meses de idade ou pesando menos de 5 kg não devem ser tratadas com dipirona.
Adaptado de: Minozzo, Carla E. Manual de terapêutica medicamentosa em odontopediatria (livro eletrônico). Curitiba: Ed. da autora, 2020.
Paracetamol 10-15mg/kg
| Apresentação | Solução “gotas” 200mg/ml |
| Posologia | 1 gota/kg |
| Máximo | 35 gotas |
| Intervalo | 6/6 h |
| Duração | 24 h |
Adaptado de: Minozzo, Carla E. Manual de terapêutica medicamentosa em odontopediatria (livro eletrônico). Curitiba: Ed. da autora, 2020.
Paracetamol 10-15mg/mg
| Apresentação | Suspensão oral 32mg/ml (criança) |
| Posologia | Tabela |
| Intervalo | 6/6 h |
| Duração | 24 h |
Adaptado de: Minozzo, Carla E. Manual de terapêutica medicamentosa em odontopediatria (livro eletrônico). Curitiba: Ed. da autora, 2020.


Suspensão oral: 32 mg/ml
| Peso (kg) | Dose (mL) |
| 11-15 | 5 |
| 16-21 | 7,5 |
| 22-26 | 10 |
| 27-31 | 12,5 |
| 32-42 | 15 |
Adaptado de: Minozzo, Carla E. Manual de terapêutica medicamentosa em odontopediatria (livro eletrônico). Curitiba: Ed. da autora, 2020.
Paracetamol 10-15mg/mg
| Apresentação | Suspensão oral 100mg/ml (bebês) |
| Intervalo | 6/6 h |
| Duração | 24 h |
| Posologia | Tabela: |
Adaptado de: Minozzo, Carla E. Manual de terapêutica medicamentosa em odontopediatria (livro eletrônico). Curitiba: Ed. da autora, 2020.
| Peso (kg) | Dose (ml) |
| 3 | 0,4 |
| 4 | 0,5 |
| 5 | 0,6 |
| 6 | 0,8 |
| 7 | 0,9 |
| 8 | 1,0 |
| 9 | 1,1 |
| 10 | 1,3 |
| 11 | 1,4 |
| 12 | 1,5 |
| 13 | 1,6 |
| 14 | 1,8 |
| 15 | 1,9 |
| 16 | 2,0 |
| 17 | 2,1 |
| 18 | 2,3 |
| 19 | 2,4 |
| 20 | 2,5 |
Adaptado de: Minozzo, Carla E. Manual de terapêutica medicamentosa em odontopediatria (livro eletrônico). Curitiba: Ed. da autora, 2020.
Ibuprofeno 5-10mg/kg
| Apresentação | Solução oral “gotas” 50mg/ml |
| Posologia | 1 gota/kg |
| Máximo | 40 gotas |
| Intervalo | 6/6 h ou 8/8 h |
| Duração | 24 h |
Adaptado de: Minozzo, Carla E. Manual de terapêutica medicamentosa em odontopediatria (livro eletrônico). Curitiba: Ed. da autora, 2020.
Protocolo pré-operatório Betametasona
| Apresentação | Solução “gotas” 0,5mg/ml |
| Posologia | 1-2 gotas/kg |
| Máximo | 40 gotas |
| Intervalo | Dose única |
| Duração | 30 minutos antes do procedimento |
Adaptado de: Minozzo, Carla E. Manual de terapêutica medicamentosa em odontopediatria (livro eletrônico). Curitiba: Ed. da autora, 2020.
Protocolo pré e pós-operatório Ibuprofeno
| Apresentação | Solução oral “gotas” 100mg/ml |
| Posologia | 1 gota/kg |
| Máximo | 20 gotas |
| Intervalo | 30 minutos antes do procedimento + 6/6h ou 8/8h |
| Duração | 48h |
Adaptado de: Minozzo, Carla E. Manual de terapêutica medicamentosa em odontopediatria (livro eletrônico). Curitiba: Ed. da autora, 2020.
Amoxicilina
| Apresentação | Solução oral 250mg/5ml, 500mg/5ml |
| Posologia | 20-50mg/kg/dia |
| Intervalo | 8/8h |
| Duração | 3 dias (reavaliação) – 7 dias |
Adaptado de: Minozzo, Carla E. Manual de terapêutica medicamentosa em odontopediatria (livro eletrônico). Curitiba: Ed. da autora, 2020.
Amoxicilina e Clavulanato
| Apresentação | Solução oral 400mg/57mg/5ml; 200mg/28,5mg/5ml | |
| Posologia | 25 – 45mg/kg/dia | |
| Intervalo | 12/12 h | |
| Duração | 3 dias * (reavaliação) | |
| Casos de infecções mais severas: | ||
| A dosagem é calculada pela amoxicilina |
Adaptado de: Minozzo, Carla E. Manual de terapêutica medicamentosa em odontopediatria (livro eletrônico). Curitiba: Ed. da autora, 2020.


Associação entre metronidazol e amoxicilina
| Apresentação do metronidazol | Solução oral 4% (40mg/ml) |
| Posologia | 7,5mg/kg/dose |
| Intervalo | 8/8 h |
| Duração | 3 dias * (reavaliação) |
| Casos de infecções mais severas | |
| Dosagem amoxicilina: 15 – 20mg/kg/dose |
Adaptado de: Minozzo, Carla E. Manual de terapêutica medicamentosa em odontopediatria (livro eletrônico). Curitiba: Ed. da autora, 2020.
Profilaxia antibiótica
| Amoxicilina | |
| Posologia | 50mg/kg/dose |
| Intervalo | Dose única: 30-60 minutos antes do procedimento |
Claritromicina / Azitromicina | |
| Posologia | 15mg/kg/dose |
| Intervalo | Dose única: 60 minutos antes do procedimento |
| Indicação: pacientes alérgicos às penicilinas |
Adaptado de: Minozzo, Carla E. Manual de terapêutica medicamentosa em odontopediatria (livro eletrônico). Curitiba: Ed. da autora, 2020.
Resumindo, a prescrição medicamentosa ainda pode causar certo receio por não ser tão frequente na clínica de Odontopediatria. Uma dica então é criar protocolos e ter sempre as posologias disponíveis e de fácil acesso. Quando se tem um correto diagnóstico e planejamento, as medicações podem ser bem empregadas e trazer os efeitos desejados. Com o domínio do conhecimento sobre esse tema, aliado a todo planejamento de cada caso, os pais sentem a confiança e aderem com mais facilidade ao tratamento.
Abraços e até a próxima!
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Referência: Minozzo, Carla E. Manual de terapêutica medicamentosa em odontopediatria (livro eletrônico). Curitiba: Ed. da autora, 2020.
Rafaela Hochuli
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