Ao se deparar com uma lesão cariosa, você lembra apenas da destruição em si que a desmineralização fez na estrutura do esmalte e/ou dentina ou lembra também da polpa?
Vários são os fatores que podem causar injúrias à polpa: bactérias, uma cavidade profunda e não selada, secagem da dentina, assim como o aquecimento da polpa. Agora imagine todos esses fatores ao mesmo tempo? Ou seja, um dente com lesão de cárie ativa, ou seja com bactéria + restauração mal adaptada + nova tentativa de restauração usando baixa rotação para remover a antiga + secar o dente para colocar a nova e nova restauração em péssimas condições que vai ficar sem bom selamento porque infiltrou saliva.
“É importante salientar que o acúmulo de estímulos pode, ao longo do tempo, diminuir a capacidade de defesa da polpa, diminuindo seu limiar de tolerância aos fatores destacados acima. Via de regra, uma polpa jovem possui mais condições de responder positivamente a um fator irritante do que a polpa envelhecida.”
(M.Guelmann, DDS. Pediatric Endodontics. Clinical Pulpa Diagnosis. 2017).
O que isso clinicamente quer dizer? Que um dente já submetido há várias tentativas de procedimentos tem menor chance de reparo para uma remoção parcial do tecido cariado do que aquele dente com uma única tentativa com sucesso. Ou seja, dica deste post: se você receber em seu consultório um paciente relatando “já foi colocado várias vezes a massinha e caiu”, preste atenção para decidir em remover todo o tecido e limpar bem a cavidade ou não e a sintomatologia que o paciente relata!
Texto elaborado por Carla Pereira (@carla.pereira_odp)

