O controle da doença cárie, definitivamente, é o maior fator de proteção às restaurações que fizemos rotineiramente na clínica. O tratamento local com restaurações, pode sim melhorar questões relacionadas a retenção de placa, estética, função, dor… mas está longe de controlar a doença cárie como um todo.
Pesquisadores investigaram em um estudo retrospectivo as falhas de restaurações adesivas em pacientes com alto risco de cárie, e se os reparos podem aumentar a sobrevida destas restaurações. Neste estudo, a longevidade das restaurações adesivas em 3 anos foi de 34,8%, sendo que as restaurações com múltiplas superfícies tiveram significativamente mais falhas quando comparadas a com superfície única. Restaurações em dentes submetidos a tratamento endodôntico também apresentaram mais falhas aos dentes vitais.
Houve um aumento de quase 10% no sucesso das restaurações, quando o reparo não foi considerado como falha, ou seja, quando as restaurações reparadas foram consideradas clinicamente aceitáveis. Neste sentido, é importante para o clínico considerar o reparo como uma alternativa de tratamento mais simples e conservadora, que aumenta a sobrevivência da restauração.
Vale ressaltar, a importância do controle da doença cárie, já que as restaurações nestes pacientes demostram longevidade restrita. Esta informação pode ser utilizada para conscientização dos responsáveis sobre a mudança de hábitos, e também para os odontopediatras ficarem atentos aos controles preventivos de pacientes submetidos a restauração, que ainda mantém o alto risco de cárie.
RUIZ L. F, et al. Repair increases the survival of failed primary teeth restorations in high-caries risk children: a university-based retrospective study. Clin Oral Investig. Apr, 2019 23. doi: 10.1007/s00784-019-02899-9.

