Resina fluida em restaurações ocluso-proximais em dentes decíduos
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IAPD - International Association of Paediatric Dentistry

Na prática clínica em odontopediatria, uma das situações mais comuns (e desafiadoras) é a restauração ocluso-proximal em molares decíduos. A busca por materiais que unam resistência, praticidade e longevidade é constante.

Isso geralmente está associado com alguns fatores: dificuldade de isolamento total da região durante  a restauração (o que muitas vezes se trabalharmos sem isolamento absoluto julgamos ser uma lesão subgengival mas pode não ser) , contato proximal, dificuldade de adaptação da matriz e a fina camada de esmalte que resta para adesão na região proximal. Sabe-se que a resina composta é amplamente utilizada e indicada para restaurações em dentes decíduos pois o preparo necessário para adesão é conservador comparado a materiais mais antigos, é estética e tem uma resistência mecânica já comprovada (mas não se iluda, nem tudo são flores e se fizer  o diagnóstico errado, você terá eternamente falhas na restauração não por conta do material mas sim pela indicação errada em ser uma restauração de resina) .Recentemente, um estudo laboratorial de professores brasileiros renomados avaliou se a resina composta fluida (flowable resin composite) pode ser uma opção viável para esse tipo de restauração, já sabendo que um dos possíveis desafios das restaurações interproximais é o gap na adesão devido ao efeito de polimerização da resina composta.

O que o estudo investigou?

O artigo “Is use of flowable resin composite an option for occluso-proximal restoration in primary teeth? A fracture strength analysis” publicado na revista IAPD , volume 35- Maio de 2025, analisou a resistência à fratura de restaurações ocluso-proximais em molares decíduos, comparando resina fluida convencional, bulk-fill e incrementos de resinas convencionais.

Principais achados:

  • As restaurações com resina flow apresentaram resistência à fratura semelhante às convencionais em algumas condições (ou seja, fica tranquilo se vc estiver utilizando apenas flow, apenas flow bulk-fill ou apenas incrementos de resina composta)
  • O comportamento do material dependeu do tipo de cavidade e do volume restaurado (aí está o DIAGNÓSTICO! Não pense que tudo se resolve com resina; isso quer dizer que COROAS fazem parte do material que você precisa ter em seu consultório. Aqui deixo o link do Curso da Academia da Odontologia sobre quando indicar coroas e sobre classe II). 
  • As resinas fluidas mostraram-se promissoras, principalmente em cavidades menores, mas a indicação clínica deve ser cautelosa (opa! olha a indicação da coroa aqui novamente, pense nisso!) 

Implicações clínicas das resinas fluidas

✔ O uso de resinas fluidas pode ser considerado em situações específicas, principalmente em cavidades pouco extensas.
✔ Favorece a adaptação marginal e pode reduzir o tempo clínico (importante em crianças pequenas).
⚠ ️ Contudo, ainda não substitui completamente as resinas convencionais para todos os casos de restaurações ocluso proximais.

Dica para o consultório

➡️ Use a resina flow em cavidades pequenas/moderadas, na margem cervical e nas paredes (apenas como um vedamento)
➡️ Em cavidades maiores, prefira resina convencional ou técnica incremental híbrida (flow + convencional) OU ASSISTA o curso e veja a INDICAÇÃO PARA COROAS!
➡️ Lembre-se: o Isolamento Absoluto é indispensável!

Cursos online recomendados sobre restaurações interproximais em odontopediatria

Na Academia da Odontologia alguns cursos podem te ajudar com relação a este assunto:

  • Quando indicar coroas em dentes decíduos
  • Classe II: CIV, Resina ou Coroa? (este curso está no combo de aulas ao vivo)
  • Classe II e suas implicações: alguns casos de classe II “clássicos” porém com diagnóstico duvidoso resultando em necrose pulpar (este curso está no combo de aulas ao vivo)

👉 Pergunta para você, odontopediatra:

 Você já utiliza flow em restaurações proximais de dentes decíduos?

Qual sua experiência prática? Ainda tem problema com restaurações mesial ou distal?

Mas também se pergunte: estou mesmo fazendo um correto isolamento absoluto? Estou mesmo indicando restaurar com resina dentes que não são indicados para coroas? Faço resina porque não sei o que fazer diferente ou porque tenho certeza que dará certo?

Por fim, o artigo diz que: o uso de resinas fluidas como camada intermediária ou na cavidade inteira tem índice de fratura similar às restaurações com resina composta convencional em cavidades ocluso proximais. E ainda, que os achados desse artigo não podem ser extrapolados diretamente para a prática clínica devido devido a limitação de materiais e desenho de metodologia; ainda, estudos clínicos precisam ser realizados para investigar o efeito de resinas fluidas nesse tipo de restauração em dentes decíduos. Ou seja, infelizmente para nós do “mocho” este artigo não ajudou muito!

Ficamos por aqui pelo menos com a leitura e com as perguntas sobre nosso diagnóstico!

Não esquece de conferir esse artigo comentado em nosso Canal do YouTube – toda semana um artigo e um vídeo novo!

Até semana que vem!

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Carla Pereira

Graduada em Odontologia pela UFSC em 2009
Especialista em Odontopediatria - PUC/PR, 2011
Habilitação em Sedação Consciente com Óxido Nitroso, 2011
Mestre em Odontologia / Área de Concentração Odontopediatria - UFSC/SC, 2015
Clínica Privada em Curitiba/PR desde 2009.
Presidente da ABOPED, Regional Santa Catarina 2017/2019.
Professora e Coordenadora do Curso de Especialização e Atualização em Odontopediatria desde 2015
IAPD Membro do board 2019/21, 2021/23, 2023/25 - Membership Committee
Idealizadora da CAIXA GUIA - Odontopediatria, 2015
Clinical Adviser NuSmile no Brasil, desde 2019
Co-Fundadora e Diretora Acadêmica da Academia da Odontologia, 2020
Professora e Coordenadora do Curso de Especialização e Atualização em Odontopediatria - Caxias do Sul/RS desde 2022
Idealizadora do Estabilize, 2023
Fundadora, Membro e Secretária Financeira da SOBRASO

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