Será que smartphones são responsáveis por trauma dentário?
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Blog da Academia

Bruxismo

Você já parou para pensar que o uso excessivo de smartphones entre os adolescentes pode estar trazendo prejuízo não só psicológico como também odontológico? De primeiro momento conforme lia o artigo, pensei em “pacientes olhando pro celular e não pra frente e cataploft no chão..”, ou ainda pensei em “está apertando tanto o dente com bruxismo que clac, quebrou..”, ou ainda, está toda hora com o celular na mão que pessoas batem sem querer na mão e poft direto na boca… MAS NÃO! Tudo se resumiu a FALTA DE ATENÇÃO quando não estão usando o celular!!!!!!

Um estudo recente revela uma associação significativa entre o tempo de uso de smartphones e o risco de fraturas dentárias traumáticas em adolescentes coreanos, destacando implicações clínicas para odontopediatras. Publicado no International Journal of Paediatric Dentistry em 2025, o artigo analisa dados da Pesquisa de Comportamento de Risco da Juventude Coreana de 2023, com 52.875 participantes.
Este aqui: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40401799/ 

Metodologia e Achados Principais

Os pesquisadores categorizaram o uso semanal de smartphones e correlacionaram com experiências de fratura dentária no último ano. O tempo médio de uso foi de 2.146,91 minutos por semana, com prevalência de fraturas variando de 9,3% em usuários extremamente baixos a 13,6% em usuários extremamente excessivos. A regressão logística confirmou odds ratios crescentes para risco de fratura conforme o aumento do tempo de tela, sugerindo distração como fator etiológico em lesões dentárias traumáticas (TDIs).

Essa evidência reforça a necessidade de orientar pacientes adolescentes e familiares sobre os riscos do uso excessivo de smartphones, como redução de atenção e maior suscetibilidade a traumas dentários e consequentemente as implicações clínicas na parte odontológica.  Cirurgiões-dentistas devem integrar essa discussão em consultas de odontopediatria, promovendo prevenção além do tratamento restaurador de fraturas coronárias.

Referências Adicionais para se aprofundar, fica a dica: 

  • Chae YK et al. Injury Prevention, Safety Education and Violence in Relation to the Risk of Tooth Fracture among Korean Adolescents. Int J Environ Res Public Health. 2020.[pubmed.ncbi.nlm.nih]​
  • Estudo brasileiro sobre trauma dental por queda de celular em crianças. Academia da Odontologia. 2024.[academiadaodontologia.com]​
  • Associação entre uso de smartphones e bruxismo relacionado a estresse em estudantes de odontologia. PubMed. 2024.[pubmed.ncbi.nlm.nih]​

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Vamos discutir mais o assunto de uma maneira geral e não só na odontologia? 

O vínculo entre uso de smartphone e fraturas dentárias é indireto e multifatorial, envolvendo principalmente distração, alteração de padrão de atividade física e mudanças comportamentais que aumentam o risco de trauma facial. (https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9566493/) 

1. Distração e perda de vigilância situacional

  • O uso intenso de smartphone reduz a atenção ao ambiente, favorecendo quedas, tropeços e colisões, mecanismos clássicos de trauma dentoalveolar em adolescentes (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41602031/)
  • Estudos mostram maior ocorrência de acidentes por quedas, escorregões e choques em indivíduos com “smartphone addiction”, mesmo após ajuste para outros fatores de risco. (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41602031/)
  • Em contexto escolar ou recreativo, essa distração pode ocorrer durante deslocamento em escadas, corredores e quadras, aumentando o risco de impacto direto sobre incisivos superiores.

2. “Smartphone‑engaged walking” e uso durante atividades

3. Uso em posição reclinada e queda do aparelho sobre a face

4. Padrões de comportamento associados (sono, sedentarismo, saúde mental)

CONCLUSÃO: Em termos clínicos, para o cirurgião‑dentista, o smartphone atua como um modulador de risco: não é o agente traumático principal na maioria dos casos, mas aumenta a probabilidade de o adolescente se colocar em cenários de impacto facial ou deixar cair o próprio aparelho sobre os dentes.

Espero que tenham gostado da leitura de hoje.

Até o próximo artigo!

Carla S. Pereria

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Carla Pereira

Graduada em Odontologia pela UFSC em 2009
Especialista em Odontopediatria - PUC/PR, 2011
Habilitação em Sedação Consciente com Óxido Nitroso, 2011
Mestre em Odontologia / Área de Concentração Odontopediatria - UFSC/SC, 2015
Clínica Privada em Curitiba/PR desde 2009.
Presidente da ABOPED, Regional Santa Catarina 2017/2019.
Professora e Coordenadora do Curso de Especialização e Atualização em Odontopediatria desde 2015
IAPD Membro do board 2019/21, 2021/23, 2023/25 - Membership Committee
Idealizadora da CAIXA GUIA - Odontopediatria, 2015
Clinical Adviser NuSmile no Brasil, desde 2019
Co-Fundadora e Diretora Acadêmica da Academia da Odontologia, 2020
Professora e Coordenadora do Curso de Especialização e Atualização em Odontopediatria - Caxias do Sul/RS desde 2022
Idealizadora do Estabilize, 2023
Fundadora, Membro e Secretária Financeira da SOBRASO

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