Dentinogênese Imperfeita ou cárie? - Academia da Odontologia
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Não, o título deste blog não está errado. Sei que você deve estar pensando “a Carla provavelmente gostaria de ter escrito algo como Hipomineralização ou cárie”. Hummm até poderia, mas não. Hoje o assunto é este mesmo e vou detalhar os pontos importantes que eu acho relevantes para planejarmos ao tratar um paciente com dentinogênese imperfeita e múltiplas lesões cariosas.

Primeiro é importante salientar que para decidir o melhor tratamento restaurador em dentes com alterações estruturais é necessário compreender a estrutura do esmalte e dentina em dentes normais e suas propriedades mecânicas, assim como entender cada material restaurador e os corretos protocolos de aplicação. Não adianta nada eu saber o que é dentinogênese, amelogênese, hipomineralização e não saber qual o correto passo a passo que o fabricante orienta para uma resina, por exemplo. Se você não lembra, um curso bem assistido na Academia da Odontologia é o de “HMI”, da professora Soraya, e o de “Cariologia” da professora Micaela.

  • O que é dentinogênese imperfeita?
  • Quais as manifestações dentárias?
  • Qual a relação entre dentição decídua e permanente?
  • Quais são os tipos de dentinogênese imperfeita?
  • Como diferenciar dentinogênese imperfeita e cárie?
  • Como tratar?
O que é dentinogênese imperfeita?

Dentinogênese imperfeita é um defeito hereditário da dentina, autossômico dominante isolado, ou seja, é uma alteração genética que compromete o processo de formação da dentina, a dentinogênese, afetando ambas as dentições. O termo “isolado” significa que ocorre sem outras anomalias. Bixler e colegas em 1969 observaram esse padrão em uma família de seis gerações em que 34 membros foram estudados e houve 100% de penetrância e expressão genética consistente dentro de um irmão. Essa anomalia também pode ser observada na osteogênese imperfeita. Então, se um paciente chega em seu consultório com essa alteração, pode buscar em sua árvore genealógica que algum familiar direto tem a mesma condição. O que pode acontecer, caso seja negativa essa pesquisa, é que há alguns anos atrás não era comum os pais levarem seus filhos nos consultórios odontológicos para prevenção e quando eles chegavam era apenas para tratar. Com dentes já destruídos, é muito difícil o diagnóstico preciso e tratava-se apenas como cárie.

Quais as manifestações dentárias?

Por ser uma condição genética, ambas as dentições (decídua e permanente) são afetadas, porém a dentição decídua é a mais prejudicada clinicamente. As manifestações, sinais e sintomas, variam conforme o tipo da dentinogênese (tipo I, II ou III de Shields):

– Coloração variável entre azul acinzentado e castanho amarelado;
– Coroas bulbosas com constrição cervical;
– Câmaras pulpares obliteradas com canais radiculares;
– Dentes facilmente desgastados por falta de suporte do esmalte devido falha na dentina;
– Dentinas hipomineralizadas;

Qual a relação entre dentição decídua e permanente?

Uma vez que a dentinogênese é hereditária ela afeta ambas as dentições, porém na dentição decídua é que observamos maiores prejuízos ao paciente. Os dentes são mais afetados e consequentemente cores mais escuras, desgastes mais severos. Saber o histórico familiar pode ajudar no diagnóstico do tipo da dentinogênese, uma vez que um dos tipos é mais relevante do que outro. O exame clínico, história clínica e radiografias são de extrema importância para planejar o tratamento. Por exemplo, os sintomas gerais de fragilidade óssea e atraso de crescimento podem estar diretamente relacionados com a alteração dentinária, por exemplo, a osteogênese imperfeita. 

Quais são os tipos de dentinogênese imperfeita?

Dentinogênese imperfeita tipo I: Alterações dentinárias associadas à presença de osteogênese imperfeita que é uma desordem autossômica dominante e o paciente apresenta fragilidade óssea e problemas de crescimento.

Dentinogênese imperfeita tipo II: não há alterações sistêmicas encontradas, é exclusivamente com alteração dentinária. Afeta mais severamente os dentes decíduos. Os sinais clínicos são dentes com coloração azul acinzentada, canais obliterados, raízes com comprimento reduzido e polpa atrésica.

Dentinogênese imperfeita tipo III: Dentes decíduos apresentam múltiplas exposições pulpares e tem maior amplitude da polpa, sendo canais radiculares amplos e paredes dentinárias finas; aspecto de “casca”.

Como diferenciar dentinogênese imperfeita e cárie?

Quando o dente já se apresenta bem destruído na porção coronária, fica difícil o diagnóstico, porém a indicação é analisar bem radiograficamente como estão as raízes e polpa (ampla ou não, obliterada ou não). Além disso, o que pode ajudar é na dentição mista quando irromper os dentes permanentes, já que eles também viram afetados na dentinogênese imperfeita, mesmo que mais leve. Mais uma dica seria avaliar a alimentação e higiene se condizem com alto risco de cárie e o histórico familiar por ser uma doença genética.

Como tratar?

O principal ponto do tratamento é restabelecer a função que por ventura tenha perdido. Veja bem, isso significa que se um paciente com dentinogênese imperfeita não tem problema algum de saúde, mastigação, fonética, deglutição e desenvolvimento não existe a pressa e/ou necessidade de restaurar ou até mesmo colocar coroas nos dentes. Porém, quando já dor, polpa exposta e comprometimento de função, é necessário tratar. Quanto mais definitivo for o tratamento melhor, ou seja, se fizermos apenas uma intervenção e com materiais definitivos (resinas e coroas) melhor será para o paciente, já que nesses casos o mais comum é ser criança pequena e não colaboradora pela idade.

Escrito por Carla Pereira

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Carla Pereira

Especialista em Odontopediatria - PUC/PR
Mestre em Odontologia / Área de Concentração Odontopediatria - UFSC/SC
Habilitação em Sedação Consciente com Óxido Nitroso
Professora e Coordenadora do Curso de Especialização e Atualização em Odontopediatria - ABCD
IAPD Membro do board 2019/2021 - Membership Committee
Idealizadora da CAIXA GUIA - Odontopediatria
Clinical Adviser NuSmile no Brasil

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