Gengivoestomatite Herpética Aguda: Como abordar essa patologia bucal? – Academia da Odontologia
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Casos de GEHA geralmente aparecem no consultório como emergências. Muitas vezes os pais estão bastante assustados e as crianças com alta irritabilidade. Nessa hora, o odontopediatra deve estar preparado para receber esse paciente e orientar corretamente esses pais. Mas como podemos tratar esses casos? Quais são as prescrições mais corretas?

Definição

A Gengivoestomatite Herpética Aguda (GEHA) é uma infecção de origem viral. Geralmente é causada pelo vírus herpes simples (HSV), sendo a primeira manifestação dele na criança. Algumas vezes esse primeiro contato com o vírus pode resultar em uma incubação e nunca mais apresentar qualquer manifestação. Outros indivíduos podem apresentar episódios recorrentes de lesões herpéticas, mas de menor severidade.

A maioria dos casos acomete crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. Isso devido a uma proteção vinda da amamentação materna, a qual contém anticorpos anti-HSV. Outro fator que geralmente está associado a essa faixa etária é o contato com outras crianças nas creches e escolas, ficando suscetíveis a essa e as demais doenças comuns na infância.

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas iniciam com pequenas vesículas avermelhadas, uniformes e em toda mucosa oral. A gengiva pode apresentar-se avermelhada e edemaciada também. Frequentemente há febre e linfadenopatia cervical. Algumas crianças podem sofrer com náuseas e vômitos.

Quando essas vesículas se rompem, o epitélio fica exposto e notam-se várias úlceras. Como resultado, há dor intensa e a irritabilidade é aumentada. Geralmente as crianças têm dificuldade de se alimentar, podendo levar a casos graves de desidratação ou desnutrição. Nesses casos, é importante levar ao hospital para receber os devidos cuidados.

Tratamento

Um dos maiores desafios na clínica é que não existe nenhum tratamento que possa curar essa manifestação. Não é raro os pais já chegarem ao consultório cansados e até mesmo desesperados com aquela condição. O primeiro passo é orientá-los e acalmarmos. A palavra-chave para a GEHA é paciência.

Alguns pacientes que já passaram pela emergência médica ou até mesmo pediatras costumam chegar com a prescrição de antibióticos. Por ser uma condição viral, os antibióticos não têm efeito sobre ela e, portanto, não estão indicados.

Sendo assim, os tratamentos são paliativos e visam o maior conforto do paciente durante o período que está com as manifestações clínicas mais acentuadas. É importantíssimo que os pais sejam orientados e encorajados a manter as crianças bastante hidratadas. Devem evitar comidas condimentadas e ácidos, pois provavelmente irá piorar a dor nos pacientes.

A GEHA tem sua remissão espontânea conforme o ciclo do vírus. A severidade do caso depende da carga viral que a criança adquiriu. Em casos mais brandos, pode levar de 5 a 7 dias para a remissão dos sintomas. Já em casos mais severos, pode levar de 14 a 21 dias.

A higienização da cavidade oral, apesar de complexa, é importante para reduzir os focos infecciosos. Pode ser recomendada escovas macias e limpeza com gaze com água oxigenada 10 V diluída na proporção 1:4. Outra alternativa seria a Clorexidina a 0,12% sem álcool na composição, em bebês pode também ser utilizada com a gaze e crianças maiores como bochecho.

Para controlar a sintomatologia dolorosa e o quadro febril, deve ser prescrito analgésico e antipiréticos. Se você ainda não viu o post sobre terapêutica medicamentosa, não deixe de ler. Os pacientes também podem ser beneficiados com a terapia de laser de baixa potência.

Essa infecção viral é altamente contagiosa, por isso devemos orientar os pais a não dividir talheres, copos e evitar contato direto com a manipulação na região. A própria criança pode levar a infecção para outros sítios como olhos, assim, é importante supervisionar constantemente. 

Uma alternativa para acelerar o processo de cicatrização dessas lesões é o medicamento V.A.S.A. manipulado. Por conter violeta de genciana, pode ser um aliado nesses casos. Além disso, contém lidocaína que pode auxiliar se passado um pouco antes das refeições.

Para saber mais sobre as patologias bucais e suas abordagens, acesse o curso de Patologia bucal ministrado pela Professora Thais Varanda na Academia!

Sendo assim, concluímos que a GEHA é uma patologia com origem viral e por tanto, tem o seu ciclo definido. As manifestações mais comuns são as vesículas em toda mucosa oral que se rompem, originando as úlceras. É uma condição extremamente dolorosa, e por isso o tratamento visa maior conforto do paciente. Não podemos deixar de fazer todas as orientações aos pais, para que tenham muita paciência e incentivem a hidratação das crianças. A higienização oral é bastante importante, apesar de não ser bem aceita pelos pacientes. O odontopediatra deve estar seguro para poder diagnosticar, orientar os pais e prescrever as medicações mais indicadas.

Por Rafaela Hochuli.

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Rafaella Hochuli

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