Qual o material obturador ideal em dentes decíduos? – Academia da Odontologia
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Endodontia

A escolha do material obturador ideal em dentes decíduos sempre é tema de questionamentos e muita discussão… vamos conversar um pouco sobre a escolha do material obturador em tratamentos endodônticos de dentes decíduos.

O que todos sabem (e gostariam) é que idealmente, este material deva preencher os canais radiculares com facilidade e aderir às suas paredes e reabsorver a uma taxa semelhante à raiz do dente decíduo, além de ser inofensivo ao germe dentário em desenvolvimento. Porém, infelizmente fazer a melhor escolha significa optar por alguns desses requisitos em detrimentos de outros, já que não existe ainda um material que preencha todos os critérios ideais com índice de 100% de sucesso.

O que vamos aprender:

Primeiramente, vamos definir o que é o processo de obturação em dentes decíduos?

A obturação do canal radicular significa preencher hermeticamente o espaço anteriormente ocupado pelo tecido pulpar radicular, evitando trocas entre o meio externo (tecidos periapciais) e o meio interno (canal radicular) e vice-versa. O preenchimento deste espaço deve ser feito com um material que possa ser reabsorvido na mesma velocidade que o dente decíduo e ser eliminado rapidamente caso, acidentalmente, o mesmo estravasse através do forame.

Afinal, quando identificar a necessidade do procedimento endodôntico?

Para indicação do procedimento endodôntico é necessário um correto diagnóstico após avaliação dos sinais clínicos e radiográficos. As indicações para a pulpectomia (tratamento endodôntico) são: sinais/sintomas de pulpite irreversível, exposição pulpar sem hemostasiam sangue com coloração alterada ou tecido pulpar liquefeito, reabsorção radicular inflamatória interna, abcesso, fístula, lesão periapical, lesão de furca, reabsorção óssea e reabsorção radicular inflamatória externa.

material obturador ideal em dentes

Imagem cedida pela Dra. Jéssica Barassuol para o e-book sobre tratamento endodôntico mecanizado em dentes decíduos, clique aqui para conferir.

Quais materiais disponíveis para obturação dos dentes decíduos?

Atualmente, as pesquisas científicas e os guidelines sugerem o uso de óxido de zinco eugenol (ZOE) e de pastas a base de hidróxido de cálcio e iodofórmio para preenchimento dos canais radiculares, porém, existem inúmeras outras opções, com evidência variada, relatadas com sucesso. 

Apesar de estudos comprovando as altas taxas de sucesso destes dois materiais, nota-se em alguns casos limitações como o padrão de reabsorção de ZOE mais lento ao da raiz do dente decíduo, reação de corpo estranho e desvio da rota de erupção do sucessor permanente. Já as pastas base de hidróxido de cálcio e iodofórmio podem ser reabsorvidas mais rapidamente que a raiz do dente decíduo, gerando uma depleção intra-radicular, ou seja, o canal fica vazio, favorecendo ao insucesso. Estas limitações são apontadas nos estudos, mas dificilmente caracterizadas como insucesso ou mensuradas em números.

O OZE continua sendo o padrão ouro, mas com um crescente inegável de estudos usando as pastas a base de hidróxido de cálcio e iodofórmio com um sucesso semelhante.

material obturador ideal em dentes
Quais as principais diferenças dos materiais?

É bem difícil pontuarmos as principais diferenças uma vez que são muitos materiais e muitas propriedades, além disso, existe protocolos diferentes para cada medicamento. Por isso, sugiro estudar as técnicas e materiais e ver o que você mais acredita e viabilidade de utilização.

Como eu escolho o material obturador ideal?

Diante do que conversamos até aqui, citar apenas um ponto de como escolher o material ideal é injusto, pois existem várias características que podem ser consideradas. O importante é você lembrar que: independente da técnica escolhida, o diagnóstico e o protocolo do material escolhido são pontos importantíssimos para o sucesso do seu tratamento.

Embora ainda tenhamos um “gap” na literatura quanto ao material ideal, a obturação é mais um passo que deve ser executado de forma criteriosa, lembrando que não cabe a ela tão somente, o sucesso ou insucesso da endodontia. 

Referências:

Por Ângela Giacomin.

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Professora Angela Giacomin

Graduada pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC
Especialista em Endodontia - UNIPLAC/SC
Especialista em Saúde da Família – UFSC/SC e Gestão em Saúde – IFSC/SC
Especializanda – ABCD/SC e Mestre em Odontopediatria - UFSC/SC
Habilitação em Sedação Consciente com Óxido Nitroso
Professora e Coordenadora do Curso de Especialização em Odontopediatria - ABCD
Clínica privada Curitiba/PR

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