Restaurações Classe II: ionômero ou resina composta? – Academia da Odontologia
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Odontopediatria

As restaurações Classe II são muito frequentes na odontopediatria, por muitas vezes, de difícil execução, por isso são temas frequentes de estudos e indagações clínicas a respeito de técnica e material. Afinal, restaurações Classe II, ionômero ou resina composta?

Geralmente, a técnica restauradora direta através de resina composta ou ionômero de vidro são as mais executadas, mas afinal, qual é o melhor material? Ou melhor, estes materiais podem ser usados com sucesso para esta técnica, com uma sobrevida aceitável?

Em busca de resposta para o desempenho de restaurações classe II em dentes decíduos, pesquisadores compararam um cimento de ionômero de vidro (CIV) de alta viscosidade fotopolimerizável (EQUIA) com a resina composta (RC) (Filtek ™ P60) posterior em 87 pacientes por um período de 3 meses.

Foram realizadas 131 restaurações, o CIV de alta viscosidade apresentou uma taxa de falha de 17,1%, sendo que na RC a taxa foi de 4,9%. A maioria das falhas nas restaurações de CIV foram devido a perda da restauração (58%) e a falta de integridade da crista marginal, sendo que as restaurações em resina composta quando apresentaram falha, foi por perda de integridade da crista marginal.

Outra informação significativa, é que as restaurações com CIV apresentaram no controle radiográfico, uma área radiolúcida sob restauração em 20,7%, dos casos. Também, o desgaste da restauração foi percebido em 36,2% das restaurações de CIV, sendo que a resinas compostas não apresentaram desgaste.

Neste contexto, a taxa de insucesso do CIV foi de três vezes maior quando comparado a resina composta em 3 anos. As restaurações RC mostraram uma alta taxa de sucesso, 95%. Os autores ponderam para o uso de CIV de alta viscosidade, como um material de duração intermediária para lesões proximais em molares decíduos, com 83% das restaurações funcionais até 36 meses, e destacam ainda a orientação aos pais neste sentido.

Este estudo difere de muitos por ter sido realizado em consultório particular, por um dentista experiente, em pacientes com risco de cárie controlado. Todas as restaurações foram feitas sob anestesia local, isolamento absoluto e remoção seletiva do tecido cariado. Conclui-se que ambas as restaurações de CIV e RC colocadas por um dentista experiente foram clinicamente bem-sucedidas durante um período de 3 anos.

KUPIETZKY A, et al. Long-term clinical performance of heat-cured high-viscosity glass ionomer class II restorations versus resin-based composites in primary molars: a randomized comparison trial. Eur Arch Paediatr Dent. Feb, 2019. doi: 10.1007/s40368-019-00423-x.

Por Juliana Pereira Andriani.

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Academia da Odontologia Suporte técnico

Especialista e Mestre em Ortodontia - UFSC/SC
Doutoranda em Odontologia - UFSC/SC
Membro da Associação Brasileira de Ortodontia - ABOR
Membro da World Federation of Orthodontics - WFO
Professora da Especialização em Odontopediatria - ABCD/ Florianópolis
Professora da Especialização em Ortodontia - ABCD/Florianópolis
Clínica Privada em Florianópolis/SC

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