Frenectomia ou Frenotomia: planejamento cirúrgico - Academia da Odontologia
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Odontopediatria

Já se sabe que a anquiloglossia – alteração no freio lingual – pode causar diversas consequências ao longo da vida. Duas das principais consequências na primeira infância são a dificuldade de amamentação e a dificuldade na fonação. Por isso, geralmente os pacientes com a “língua presa” são submetidos ao procedimento entre 0 e 12 anos de idade. Você saberia identificar e realizar o procedimento se esse paciente chegasse em seus cuidados?

Avaliação

Como já relatado em outro post no site da Academia da Odontologia (Anquiloglossia: do diagnóstico até a decisão de frenectomia), há alguns testes e métodos para identificar e diagnosticar essa alteração. Além disso, apenas o procedimento de frenotomia ou Frenectomia podem não ser suficientes para solucionar os problemas. Portanto, o diagnóstico e tratamento devem ser realizados com uma equipe multidisciplinar e a fonoaudiologia tem um papel fundamental para reabilitação dessa criança, assim como a consultora de amamentação.

Frenotomia e Frenectomia

A frenotomia consiste em apenas cortar o frênulo do bebê. Geralmente é realizada nos bebês para auxiliar na amamentação e, na grande parte dos casos, não requer sutura, o bebê é levado em seguida para o peito da mãe. Já a frenectomia normalmente é realizada em crianças um pouco maiores, onde parte do frênulo lingual é removido para não ter tanta chance de incidência e reinserção do freio. 

Planejamento cirúrgico

Depois de diagnóstico e orientação aos pais, segue-se para o planejamento do procedimento. O primeiro passo é com relação ao material. Ter o instrumental correto é muito importante para que todo o processo ocorra da melhor forma e não utilizar outros materiais parecidos ou com outra função. Muitas vezes os bebês chegam com poucos dias de vida, sem conseguir aumentar o peso e com a saúde comprometida, e o protocolo cirúrgico tem que ser o mais rápido e efetivo possível. Já em crianças maiores, onde o procedimento é eletivo, pode-se ainda utilizar a sedação como alternativa, e desta mesma forma, não se pode correr o risco de ter que submeter a nova sedação. Tratando-se de um procedimento mais invasivo e complexo, frequentemente realizado em crianças, ainda não tem a maturidade ou colaboração adequada, portanto é importante que haja uma estabilização efetiva e que a criança esteja tranquila.

O planejamento cirúrgico é essencial. Ter disponíveis todos os instrumentais esterilizados e de fácil acesso na mesa cirurgia irá tornar o procedimento mais rápido, eficaz e diminuir o risco de algumas intercorrências. É importante fazer uma boa avaliação, estar confiante do diagnóstico e planejamento. Além disso, fazer uma boa contenção e anestesia, fundamentais para a segurança e tranquilidade do procedimento. Além disso, indicar sedações quando julgar necessário. O dentista tem o conhecimento para orientar a família, portanto é responsável em resolver a demanda da melhor forma, tornando essa experiência tranquila e eficaz. 

Anestesia

Há um grande receio, principalmente de dentistas que não atendem bebês com frequência em relação a anestesia. Nos profissionais com experiência, pode-se observar algumas divergências entre fazer somente a anestesia tópica ou a tópica e a infiltrativa. O Prof. Marcos Ximenes, em seu curso de Frenectomia e Frenotomia da Academia da Odontologia elucida bem essa questão. Há alguns estudos que demonstram que apenas a anestesia tópica não é suficiente para realizar o procedimento de frenotomia. Sendo assim, a infiltrativa com Lidocaína é recomendada e deve ser realizada com cautela. Para isso, uma das suas dicas é depois de calcular a dose para a criança, dispensar toda a porção de anestésico que não pode ser utilizada e realizar a técnica de forma cautelosa e com conhecimento da anatomia. Dessa forma, é possível realizar uma anestesia de forma eficaz e segura, tornando o atendimento ainda mais tranquilo.

Técnicas

Dentre as técnicas, na frenotomia geralmente a mesa cirúrgica de instrumentais é mais enxuta. Depois de conversado com os pais, eles auxiliam na contenção protetora e após a anestesia é realizada uma incisão no frênulo lingual, podendo ser com uma tesoura especial para tecidos bucais ou então com o bisturi. Sempre lembrando de proteger as estruturas como a carúncula lingual para não causar nenhuma sequela. 

Já na frenectomia, como há uma maior resistência pela inserção de fibras musculares, além de realizar a incisão, é necessário divulcionar o tecido e na maioria das vezes remover uma porção desse frênulo. A tentacânula – instrumental apropriado para o frênulo lingual – também pode ser utilizada, assim como na frenotomia. Há uma variação de técnicas entre utilizar apenas a tentacânula, simples pinçamento ou duplo pinçamento. A escolha irá depender da experiência do cirurgião dentista, familiaridade com a técnica e tipos de freio. 

por Rafaela Hochuli

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