8 técnicas de manejo comportamental em odontopediatria – Academia da Odontologia
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Manejo Comportamental

É comum que o cirurgião dentista ou o odontopediatra precise lançar mão de técnicas de manejo comportamental em odontopediatria diante do medo e ansiedade dos pacientes frente ao atendimento. Listamos abaixo 8 técnicas de manejo comportamental em Odontopediatria citados no artigo publicado por Vieira e Ferreira em 2018.

  1. Muito além do atendimento curativo
  2. Escolha a técnica de manejo adequado para cada paciente
  3. Influência dos pais/familiares no comportamento da criança
  4. Choro e resistência ao atendimento
  5. Relação profissional – paciente – responsável
  6. Técnicas não aversivas serão a primeira escolha
  7. Uso de técnicas de estabilização
  8. Aceitação dos pais diante da conduta escolhida

A ansiedade, é uma reação do organismo que envolve processos psicológicos, físicos, mentais e hormonais e que ocorre diante da necessidade de uma adaptação a um evento ou situação importante, e o medo, que é um estado apresentado pelo indivíduo em resposta ao objeto ou situação, são manifestações naturais do ser humano, que possibilitam sua existência. Durante o atendimento odontológico crianças podem atingir níveis patológicos destas manifestações, dificultando ou impedindo a execução do tratamento, elevando os custos e a demanda de tempo. O choro, a recusa em abrir a boca, a resistência e até mesmo o vômito são comportamentos dos pacientes odontopediátrico resultantes da incapacidade destes de expressar verbalmente seus sentimentos. As técnicas de manejo de comportamento são ferramentas disponíveis ao cirurgião dentista. A escolha da técnica deve levar em consideração a fase de desenvolvimento da criança e a aceitação dos pais. Para tanto, o dentista deve dispor de habilidade técnica e conhecimento teórico para a escolha e emprego da técnica correta. A presente revisão de literatura teve como objetivo relatar e descrever as técnicas de controle de comportamento em odontopediatria. Conclui-se que o dentista deve estar apto para determinar o tipo de técnica a ser empregada com base no tratamento a ser realizado.”

Você já leu este resumo? Não? Então este post pode te ajudar a esclarecer alguns pontos importantes sobre o “Manejo comportamental em Odontopediatria”. Este resumo é de um artigo publicado na Revista Odontológica do Planalto Central em 2018 e de autoria da Letycia Braz MATOS, Renan Bezerra FERREIRA e Leticia Diniz Santos VIEIRA.

Listei abaixo alguns pontos importantes ressaltados pelos autores do artigo:

1. Muito além do atendimento curativo

Citação do artigo: “A perspectiva mais ampla do cirurgião-dentista em Odontopediatria vai além da mera atuação curativista pois este atua de maneira a promover saúde e bem-estar aos seus pacientes, nesse caso, bebês e crianças.  O odontopediatra deve dispor de técnicas de manejo de comportamento, que em muitas vezes podem ser utilizadas para garantir a execução dos trabalhos em crianças

Comentário Professora Carla: Não se julgue por não conseguir atender uma criança da maneira que você gostaria, muitas vezes ela vive em um contexto conturbado e você também será um alvo de ansiedade. Use suas psicologias de manejo que com certeza você conquistará a colaboração dela, mesmo que demore um tempo, não tenha pressa!

2. Escolha a técnica de manejo comportamental em odontopediatria adequada para cada paciente

Citação do artigo: “Empregar a técnica correta de manejo de comportamento e demonstrar destreza, habilidade e segurança, contribui para que a criança compreenda o tratamento e pode criar e/ou fortalecer o vínculo entre o profissional e o paciente, diminuído as reações exacerbadas ao tratamento

Comentário Professora Carla: Clique aqui e acesse um post que fiz falando exatamente sobre todas as técnicas que eu uso e como você pode aperfeiçoar seu atendimento.

3. Influência dos pais/familiares no comportamento da criança

Citação do artigo: “A ansiedade e o medo são manifestações que levam a uma falta de cooperação da criança durante o tratamento. Tal personalidade recebe influência direta das relações familiares, onde a superproteção com indulgência e a superproteção com dominação e rejeição são características que interferem no comportamento da criança durante o atendimento”

Comentário Professora Carla: Eu não vejo o trabalho do odontopediatra sendo realizado sozinho, isolado dentro de quatro paredes e uma cadeira de atendimento. Não se esqueça que ter um grupo de profissionais de confiança para trabalhar a “multidisciplinaridade”. Dica: faça sua lista de profissionais de confiança: psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta, pediatra, ortodontista.

4. Choro e resistência ao atendimento

Citação do artigo: “O choro, a recusa em abrir a boca, resistências e até mesmo o vômito são comportamentos onde os pacientes pediátricos manifestam aquilo que não são capazes de verbalizar, com vistas a encerrar o atendimento”.

Comentário Professora Carla: Dependendo da idade, a criança não tem maturidade o suficiente pra entender o que é tratamento odontológico, o que é andar de carro, o que é escovar os dentes, o que é tomar banho (isso são analogias). Quero dizer com isso que o choro pode fazer parte do seu dia a dia, porém o importante é você entender até que ponto o choro é esta falta de maturidade e até que ponto é uma manifestação de ansiedade/medo/não colaboração. 

5. Relação profissional – paciente – responsável

Citação do artigo: “O tratamento odontológico pediátrico é baseado na relação entre o profissional, o paciente e o responsável pela criança. Os pacientes pediátricos em idade pré-escolar, requerem do dentista atitudes perspicazes quanto a abordagem e manejo do comportamento”.

Comentário Professora Carla: Sim, os pais/responsáveis podem ajudar ou atrapalhar o andamento dos atendimentos. 

6. Técnicas não aversivas serão a primeira escolha para o manejo comportamental em odontopediatria

Citação do artigo: “Frente a um paciente não colaborativo, as técnicas não aversivas são as de primeira escolha”.

Comentário Professora Carla: As técnicas não aversivas e técnicas farmacológicas são diversas. Acho importante optar por técnicas farmacológicas somente quando temos limitações nos atendimentos.  As opções que uso e indico a aprenderem a usar são: sedação consciente com óxido nitroso e oxigênio, sedação medicamentosa via oral (clique aqui e acesse o curso da professora Adriana completo sobre este assunto e comece a praticar com seus pacientes), e sedação endovenosa e anestesia geral que você precisará de uma equipe médica.

7.  Uso de técnicas de estabilização para manejo comportamental na odontopediatria

Citação do artigo: O uso de contenção física tem sido aceito e bastante tolerado em crianças, como justificativa para o atendimento de pacientes não colaboradoresMais de 90% dos odontopediatras afirmam que as técnicas de estabilização de movimentos não são rejeitadas pelos pais”.

Comentário Professora Carla: Quando é necessária, bem indicada e bem realizada, a técnica de estabilização protetora é sim uma ótima opção, mas é obrigatório a aceitação dos pais.

8. Aceitação dos pais diante da conduta escolhida

Citação do artigo: O Odontopediatra possui total capacidade e autoridade para guiar toda a terapêutica, no entanto, em se tratando de crianças, os pais devem estar de comum acordo, participar ativamente das tomadas de decisões e, principalmente, estarem esclarecidos quanto aos métodos de controle comportamental”.

Comentário Professora Carla:  Embora temos a opção de conduzir o tratamento com um tipo de protocolo/técnica, muitas vezes os pais não aceitam e precisam estar ao par dos prós e contras de cada técnica. As minhas decisões sempre são de acordo com o que eu acredito e com o que os pais/responsáveis aceitam.

Sabemos que pode não ser um trabalho fácil, rápido e que poderemos fazer sozinhos. Mas quanto mais nos desafiamos a realmente entender o motivo dos comportamentos dos nossos pacientes e qual melhor técnica podemos utilizar, com certeza o sucesso no manejo chegará mais rápido.

Claro que a psicologia infantil não se restringe apenas nesses 8 ítens que listamos e com apenas a minha perspectiva, mas espero ter ajudado como um guia para seu manejo em odontopediatria. 

Espero que tenha gostado! Beijos.

Referência: Braz L, Vieira LDS, FERREIRA RB. Manejo de Comportamento em crianças com ansiedade e estresse em clinica de odontopediatria. R Odontol Planal Cent. 2018 Jun-Nov;4(1):18

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