Tratamento endodôntico manual x mecanizado: O que você precisa saber na conduta em dentes decíduos – Academia da Odontologia
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Endodontia

Você já se questionou sobre qual o melhor método de instrumentação durante o preparo químico-mecânico no procedimento de endodontia em dentes decíduos? Então esse post é para você! Afinal, qual a diferença entre tratamento endodôntico manual e mecanizado? O preparo químico-mecânico é uma etapa muito importante durante o tratamento endodôntico, já que a irrigação, em conjunto com a instrumentação, são responsáveis pela remoção de bactérias e tecido necrótico presentes no canal radicular. 

De maneira geral, espera-se que a instrumentação desgaste uma quantidade mínima de dentina, não perfure as raízes e preserve a anatomia do canal radicular. É possível realizar essa etapa de duas formas: 

Instrumentação manual no tratamento endodôntico

A instrumentação manual é muito utilizada na Odontopediatria. Isso porque ela apresenta vantagens como a possibilidade de autoclavagem das limas, baixo custo e bons índices de sucesso. Além disso, as limas utilizadas nessa técnica, tanto as de aço inoxidável (tipo Keer e Hedstroem) quanto as de NiTi (Flex), possuem um TAPER de 0.2mm. O TAPER é o índice de conicidade da lima, e indica a variação do diâmetro desta. Nas limas manuais, esse índice não varia, o que traz segurança na instrumentação e menor probabilidade de perfuração ou desgaste excessivo de dentina. 

Durante o preparo mecânico utilizando esse sistema, geralmente são utilizadas limas FF da primeira série (#15-40), de 19 ou 21mm, todas calibradas com cursores no mesmo comprimento. Segue-se o curso progressivo dos instrumentos, realizando os movimentos de limagem requeridos, que são a rotação, raspagem e tração.

tratamento endodôntico manual x mecanizado
Instrumentação mecanizada no tratamento endodôntico

A instrumentação mecanizada é comumente utilizada em tratamentos endodônticos para dentes permanentes, porém vem ganhando muito espaço na Odontopediatria. Essa técnica apresenta duas variações, o sistema rotatório e o reciprocante. As principais vantagens apresentadas são a utilização de apenas uma lima para a instrumentação, a regularidade na preparação do canal e o controle de memória da lima NiTi, adaptando-se melhor à curvatura do canal. Apesar disso, o custo é mais alto e cada sistema apresenta limas com diferentes TAPERS, aumentando o risco de perfuração do canal caso o cirurgião-dentista não tenha domínio sobre a técnica. 

Quando optar pela instrumentação mecanizada, é importante atentar-se para alguns detalhes. Apesar de um notório aumento na procura por essa técnica, a literatura ainda não apresenta protocolos específicos para a utilização em dentes decíduos. Dessa forma, é interessante que o operador busque um treinamento específico conforme o motor e sistema que desejar utilizar. É válido que previamente a utilização, o dentista esteja ciente sobre qual o movimento deve realizar (reciprocante ou rotatório), qual a lima adequada (conforme seu TAPER), qual o torque e qual a velocidade indicada. 

É importante lembrar que, independente da técnica escolhida, a irrigação deve ser constante e que em dentes decíduos não há necessidade da realização de um stop apical, já que a técnica de obturação não é compressiva. 

Instrumentação manual x mecanizada no tratamento endodôntico

Atualmente a literatura demonstra que, quando comparadas as técnicas de instrumentação manual e mecanizada, ambas apresentam uma taxa de sucesso clínico e radiográfico semelhantes. Porém, a técnica mecanizada mostrou melhores resultados clínicos quando observados as variáveis dor pós-operatória e menor tempo de instrumentação. 

Assim, deve ponderar-se qual o melhor custobenefício para a criança e para o cirurgião dentista, de forma que manual ou mecanizada, a instrumentação seja realizada da melhor forma e seja efetiva. 

Se você quiser saber mais sobre as demais etapas do procedimento endodôntico, acesse o post de etapas do tratamento endodôntico em dentes decíduos.

Também, se tiver interesse em ler mais sobre o assunto de instrumentação manual e mecanizada, segue algumas sugestões disponíveis na literatura: 

  • Manchanda S, Sardana D, Yiu CKY. A systematic review and meta-analysis of randomized clinical trials comparing rotary canal instrumentation techniques with manual instrumentation techniques in primary teeth. Int Endod J. 2020 Mar;53(3):333-353. doi: 10.1111/iej.13233. Epub 2019 Nov 26. PMID: 31587323. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31587323/ 
  • Barasuol JC, Massignan C, Bortoluzzi EA, Cardoso M, Bolan M. Influence of hand and rotary files for endodontic treatment of primary teeth on immediate outcomes: Secondary analysis of a randomized controlled trial. Int J Paediatr Dent. 2021 Jan;31(1):143-151. doi: 10.1111/ipd.12682. Epub 2020 Jun 28. PMID: 32516507. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32516507/ 

Afinal, tudo certo diante do tratamento endodôntico manual e mecanizado? Agora é colocar em prática e exercitar!

Por Natália dos Santos.

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Natália Dos Santos

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